“O PUPUNHEIRO”

Estava passeando pelas ruas do BRÁS, em São Paulo, precisamente na João Teodoro, quando avistei um parintinense, amigo de infância e ex colega de Colégio Agrícola . Quem o conheceu ou conviveu com o Jackson, tem centenas de histórias surreais para contar. Eu o conheço desde a década de 70; naquela época minha família morava na Travessa Paes de Andrade e a dele na rua Getúlio Vargas; ele é filho do “Victor do Poço”, um cidadão que prestou serviço a vida inteira no bombeamento do SAAE da rua Rio Branco. – Quando avistei o Jackson fiquei super feliz; jamais imaginei encontrar alguém de Parintins no meio daquele mundão de prédios, pessoas, veículos e comércios. Foi tão marcante aquele encontro que gravei na memória a calça social que usava, a camisa de mangas compridas e o rostinho daquele menino de uns 6 anos que segurava pelas mãos. Dei um grito e perguntei: O que você faz por aqui meu amigo?. Ele respondeu : Eu moro aqui Inaldo, há muitos anos!!!. Conversamos apenas cinco minutinhos e depois cada um seguiu o seu caminho; não falei de família ou de saudade; apenas procurei demonstrar minha admiração pela sua coragem e me despedi desejando muita felicidade e sabedoria nas suas decisões. Jackson sempre teve os olhos tristes; ficou órfão de mãe muito cedo, parecia fragilizado, mas confesso que me surpreendi ao vê-lo enfrentando e desafiando A MAIOR METRÓPOLE DO MUNDO. Percebi também que a IDADE CRONOLÓGICA do meu amigo Jackson, estava bem a frente da IDADE BIOLÓGICA; seu cabelo totalmente branco, barba mal feita e camisa abotoada até quase engasgá-lo. Ele ouviu tudo, sorriu e falou pouco; não fez sequer uma pergunta; pensei envolvê-lo em saudosismo mas optei em respeitar seu espaço e seu silêncio. Nunca mais soube notícias do Jackson; espero que ele ainda esteja vivo, em paz e feliz. Falei pra ele que um dia contaria para muitas pessoas esta história e ele afirmativamente balançou a cabeça me autorizando. ****** Jackson, aos 12 ou 13 anos, apresentava características nítidas de alguém habilitado exercendo com muito vigor o apogeu da sua puberdade; estava naquela fase que tudo era motivo para se “esconder no banheiro” e falava abertamente, com os amigos da mesma idade, sobre masturbação e ainda se gabava da sua performance diária. Certo dia, lá vem o Jackson, sem camisa, calção de elástico, chutando a areia da rua Getúlio Vargas. Eu estava vigiando o comércio do Herto, era quase 5 da tarde, quando o Jackson gritou sorrindo: HOJE “BATI” MEU NOVO RÉCORDE;!!!. Quantas JACKSON?. Ele respondeu todo eufórico: ATÉ AGORA 12!!!. Eu disse: é por isso que você está pálido e anêmico. E continuei: meu amigo, desse jeito você vai morrer, sabia?. E fui falando: espermatozoide é sangue; se você espremer um limão em cima e esperar 30 segundos, você vai ver que tudo vira sangue vivinho. Ele ficou triste, pensativo, se afastou dalí bastante preocupado e em exatos 10 minutos retornou gritando: SEU MENTIROSO!. SEU MENTIROSO!. SEU MENTIROSO!!. Aí cheguei a conclusão que o Jackso era indiscutivelmente um recordista “imbatível”; havia feito “justiça com as próprias mãos”, comprado o limão, espremido e esperado o resultado, tudo em apenas 10 preciosos minutos.Credo!!!!!. Kkkkkkkk.

 

Inaldo Medeiros/Colaborador JI