Feliz e Santa Páscoa

Dom Giuliano Frigenni celebrou a Vigília Pascal em Parintins.

 

Domingo da Páscoa

Evangelho – Jo 20,1-9

1No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus,
bem de madrugada, quando ainda estava escuro,
e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2Então ela saiu correndo
e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo,
aquele que Jesus amava
,
e lhes disse: ‘Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde o colocaram.’

3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo
e foram ao túmulo.
4Os dois corriam juntos,
mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro
e chegou primeiro ao túmulo.
5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo.
Viu as faixas de linho deitadas no chão
7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas,
mas enrolado num lugar à parte.
8Então entrou também o outro discípulo,
que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou.
9De fato, eles ainda não tinham compreendido a
Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

 

O QUE JESUS QUIS DIZER AOS SEUS?

A primeira curiosidade:

 

O nosso calendário semanal é judaico pois os dias são contados a partir da criação. Temos então: segunda (corresponde ao segundo dia da criação), terça (corresponde ao terceiro dia da criação) quarta… e assim por diante até chegar no sábado (shabat, que em hebraico significa “deixar de cumprir algum trabalho) onde Deus repousou depois do sexto dia da criação. Se observarmos ao menos as línguas inglês, espanhol e italiano os dias da semana são tirados da cultura religiosa greco-romana: segunda = Monday – Lunes – Lunedi (dia da deusa lua), dia do deus Marte, dia da deusa Vênus etc.

 

Assim o primeiro dia da semana, como diz o texto do evangelho de hoje é o primeiro dia da criação, ocorre a ressurreição de Jesus. Com a ressurreição de Jesus concordando com o início da criação se inicia uma nova criação livre do pecado e da morte. Esse é um dos argumentos pelos quais os cristãos mudaram o dia do descanso para o domingo (que significa “dia do Senhor”). Jesus é o modelo de toda criação.

 

Segunda curiosidade:

Dos personagens desta história somente um acredita na ressurreição, os outros ficam sem saber o que dizer. Aqui a palavra “ver” não significa um ver material, um olhar com os olhos, mas é um olhar de fé. O olhar de Pedro e de Maria é meramente humano, como o olhar de Tomé. Interessante que todos olham a mesma coisa mas cada um deles com uma interpretação do que viu.

 

Terceira curiosidade:

 

A primeira experiência da ressurreição é a experiência do vazio,  da falta. Aqui nos é transmitido os sinais da ausência. Não se fala de Jesus que ressuscitado. Conclusão: não bastam os sinais da ausência para proclamar a ressurreição de Jesus. Não é suficiente o sepulcro vazio para dizer que ele ressuscitou. É preciso fazer a experiência do encontro pessoal com o ressuscitado. O discípulo que acreditou foi o discípulo amado. Portanto fazer experiência de Jesus  vivo em nossas vidas é fazer a experiência de ser amado por Ele.

 

 

O QUE JESUS NOS QUER DIZER?

O primeiro dia da semana é o início de tudo. Deus nos concede um novo recomeço nesta Páscoa. Ele nos resgata. É preciso ter fé na ressurreição de jesus para acreditar na na possibilidade de renascermos, sairmos de algum marasmo ou confusão, recuperar a esperança, acreditar que com o Senhor retornamos ao caminho do Jardim do Edem, do paraíso perdido.

 

O sepulcro aberto e vazio, só ele,  não é prova da ressurreição de Jesus. Alguém poderia colocar a dúvida : ‘Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.’ Roubaram o corpo ? As experiências que fazemos nem sempre as conseguimos entender como presença de Deus vivo. Algumas vezes é somente sinal da sua ausência. Ai vem a dúvida e não compreensão do que acontece.

 

Neste texto de hoje o discípulo que acredita na ressurreição e entende o que aconteceu não tem nome, ele é o discípulo amado : « o outro discípulo, aquele que Jesus amava ». Ele representa todos os discípulos que procuram Jesus com os olhos da fé e que fazem a experiência da nova criação em si mesmos. Que se deixam amar para amarem.

 

A DESCOBERTA DE JESUS NOS FAZ ENTRAR EM DIÁLOGO COM ELE

“Senhor, o meu olhar nem sempre é de quem entende os fatos corriqueiros da vida como um sinal da sua presença. Hoje no dia de Páscoa que eu possa perceber a sua presença em minha vida me sentindo amado, protegido pela sua mão protetora e carinhosa que me guia. Como no dia da ressurreição ocorreu a nova criação peço que nesta páscoa eu possa renovar a minha vida.  Amém!

 

 

Irmã Maria Helena Teixeira

Colaboradora JI

Fotos: Carlos Frazão/JI