Eleição no Amazonas terá 2º turno, indicam especialistas

Para o sociólogo Luiz Antônio do Nascimento, atualmente, nenhum pré-candidato possui capital político para ganhar no primeiro turno (Foto: Sandro Pereira)

Com pelo menos nove pré-candidatos ao governo do Estado, a eleição para governador deste ano, no Amazonas, tende ser a mais disputada dos últimos anos, com os votos diluídos entre os candidatos, avaliam analistas políticos e sociólogos ouvidos pela REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC). A conclusão é que há forte tendência para ocorrer segundo turno na disputa pelo governo do Estado.

A corrida eleitoral já começou informalmente e fora do calendário oficial. No páreo há vários nomes que se apresentam como possíveis candidatos ao cargo majoritário. Estão de olho no cargo de governador David Almeida (PSB), Rebecca Garcia (PP), Júnior Brasil (Rede), Omar Aziz (PSD), Amazonino Mendes (PDT), Wilson Lima (PSC) e Praciano (PT). Também são esperados um candidato do PSDB e outro do PSOL.

Para o sociólogo Luiz Antônio do Nascimento, atualmente, nenhum pré-candidato possui capital político para ganhar no primeiro turno. “É certo que haverá segundo turno, acho que ninguém, hoje, tem nome para ganhar no primeiro turno. Até quem está com a máquina. O mandato do Amazonino está muito ruim, se ele tivesse fazendo um bom mandato, talvez se destacasse. Embora esteja gastando muito dinheiro com campanha, ele, até agora, não mostrou a que veio”, afirmou.

Já o cientista político e presidente da comissão de relações internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Amazonas (OAB-AM), o advogado Helso do Carmo Ribeiro Filho, o fato de haver muitos candidatos pode ser positivo para escolha dos eleitores. “Como a eleição tem dois turnos, isto possibilita ao eleitor se identificar mais facilmente com alguém que defenda pensamento mais próximo do eleitorado. Isto de acerta forma, é uma coisa boa”, disse.

Renovação

Questionado sobre o sentimento de renovação da política no Estado, o cientista político citou que os eleitores estão cansados da velha política. “Há um desgaste progressivo da democracia representativa fazendo com que toda classe política seja posta em cheque. E aí eu retomo uma frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do final do ano passado, em que ele disse que ‘o povo está enojado desta política’. E, realmente, o que se quer de renovação é de quadro, mas são poucas as renovações de quadro, quando se coloca a questão ideológica”, afirmou.

De acordo com o coordenador do programa de pós-graduação de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico, o número elevado de candidatos ao cargo de governador tem se repetido em pleitos anteriores e a tendência é acontecer o mesmo neste ano.

“No primeiro momento há um processo de fragmentação das forças políticas que pode ser explicado por diversas razões, pode ser tanto uma estratégia dos grupos majoritários de fragmentar as partes e ter ingerência em vários grupos, como também resultado de processo de transformação da política local em que os grupos tradicionais não conseguem mais se aglutinar. Então, isto resulta nesta variedade de candidaturas. Agora, qual o significado de cada candidatura? Lamentavelmente, eu tenho a impressão de que as candidaturas são praticamente as mesmas. Não há novidade nenhuma no cenário”, afirmou.

Vazio político

Segundo o especialista em política e professor de Ética e Política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, Gerson Moraes, o número maior de candidatos é mais comum em momentos de crises e citou a cassação do ex-governador do Amazonas José Melo e a eleição suplementar do ano passado como exemplos do que qualificou de “vazio político”.

“No País acontece que estamos saindo de uma fase bastante difícil da democracia brasileira, uma crise institucional generalizada, e os partidos também estão com dificuldades (…) Tem outro detalhe, com esta crise, os candidatos se aproveitam para se aventurar porque é muito difícil fazer alianças quando a situação não está tão clara”, disse.

Sobre o Amazonas, Moraes analisa que todos tentam uma candidatura com a situação de incerteza no pleito deste ano. “Há um vácuo do poder. Todo mundo deslumbra uma oportunidade, já que estamos todos ‘no mesmo barco, estamos todos queimados, quem sabe eu não consiga fazer uma campanha e emplacar que eu sou diferente’, esta é a esperança do político. Em toda situação de crise, leva a isto”, afirmou.

 

Álisson Castro / diariodoamazonas.com.br/